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.Departamento de Geologia

da Faculdade de Ciências de Lisboa

 

 

Faculdade de Ciências de Lisboa (FCUL)

 

 

Universidade de Lisboa

 

 


  

Carlos Marques da Silva

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Contacto correio electrónico / e-mail:

paleo.carlos@fc.ul.pt


Bibliografia - Publicações


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Como citar esta página web:

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Silva, C.M. da (2014) - Geodiver-

sidade no campus da FCUL.

Fósseis de belemnites.

Acessível em http://paleoviva.fc.ul.pt/

Geodivfcul/Geobelem01/Belemnit01.htm

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Fósseis de belemnites

 

 

por Carlos Marques da Silva

 
 

 

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Localização da ocorrência:

Alameda Pedro Nunes, entre os edifícios C6 e C5 da FCUL, no murete mais próximo do Bar do C5.

 

Tipologia da ocorrência:

Fósseis, somatofósseis de belemnites.

 

Coordenadas geográficas:

N 38º 45' 21,13''  W 09º 09' 25,74''

 


 

Enquadramento

O murete que limita a Alameda Pedro Nunes a Nascente tem o seu topo revestido a calcário Azul Ataíja. Segundo a base de dados ORNABASE, esta rocha ornamental provém da mesma região e da mesma formação que as rochas ornamentais conhecidas como Vidraço de Ataíja Azul e Vidraço de Ataíja Creme. Há que ter-se em conta que estas denominações se referem a variedades de rochas ornamentais, em que as propriedades mecânicas, a coloração e as características estéticas são determinantes, e não a tipos litológicos ou petrográficos distintos e claramente definidos.

Estes calcários ocorrem no Maciço Calcário Estremenho da Orla Mesocenozóica Ocidental portuguesa, sendo originários do Membro Moleanos da Formação de Santo António - Candeeiros (litostratigrafia segundo Azerêdo, 2007). O Membro Moleanos é atribuído ao Calloviano (Jurássico Médio) e aflora no flanco oeste da Serra dos Candeeiros, entre Alto da Serra e o paralelo de Porto de Mós (vide ORNABASE). Por vezes, estes calcários são bastante fossilíferos, contendo somatofósseis e icnofósseis variados.
 

Fósseis de belemnites

Um dos grupos biológicos representado no registo fóssil dos calcários Azul Ataíja por via dos seus somatofósseis é o das belemnites. Nos muretes da Alameda Pedro Nunes há vários fósseis destes organismos.

 

 

Fósseis de belemnites na Alameda Pedro Nunes, no campus da FCUL.

Legenda da reconstituição de uma belemnite jurássica: 1 - rostro; 2 - fragmocone; 3 pró-óstraco; 4 - olho; 5 - hipónoma (ou funil); braços.

 

 

As belemnites são um grupo biológico extinto (ver abaixo: Quem eram as belemnites?). Actualmente, não existem. Sabemos da sua existência no passado porque encontramos os seus fósseis. Ou seja, o que existe na rocha Azul Ataíja, na Alameda Pedro Nunes, não são belemnites – como normalmente se diz –, mas sim os seus fósseis! Organismos e fósseis são entidades distintas e é muito importante não os confundir. O organismo viveu no passado, morreu e fossilizou. O que encontramos hoje nas rochas são os seus fósseis! Os organismos são (ou eram) entidades biológicas. Por seu lado, os fósseis são entidades geológicas.

 

A parte mais resistente do esqueleto interno biomineralizado das belemnites era o rostro (ver abaixo). O rostro, para além de mecanicamente resistente, duro, era constituido pelo mineral calcite. Por isso, os fósseis mais abundantes destes organismos são os dos rostros.

 

Os rostros têm, em geral, forma de ponta de dardo. Daí o nome do grupo, Belemnoidea (Coorte). "Bélemnon" em grego antigo significa ponta de dardo ou projéctil; a terminação "oidea" (óide), significa "ter aspecto de". Os rostros, ao contrário dos esqueletos de muitos outros organismos, não apresentam características anatómicas muito variadas. Contudo, há dois aspectos que se observam bem nos fósseis (em corte longitudinal) existentes no campus da FCUL: 1) a forma de projéctil do rostro e 2) a sua estruturação concêntrica.

 

 

 

Fóssil de rostro de belemnite da Alameda Pedro Nunes, no campus da FCUL, em corte longitudinal, mostrando a típica forma de projéctil e a estrutura concêntrica.

 

 

 

Quem eram as belemnites?

As belemnites são um grupo extinto de cefalópodes coleóides. Os coleóides estão actualmente representados pelos polvos, os chocos e as lulas. As belemnites eram parentes afastados das lulas.

 

 

 



Bibliografia:
 

Azerêdo, A.C. 2007. Formalização da litostratigrafia do Jurássico Inferior e Médio
do Maciço Calcário Estremenho (Bacia Lusitânica).
Comunicações Geológicas, 9429-51.

 


 

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Carlos Marques da Silva - Lisboa, 05 de Junho de 2015