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Rua Capitão Leitão, Nº 83.
Neste local, na fachada do número 83, à esquerda da
porta de entrada, podem observar-se belos exemplares de
fósseis de
corais - solitários e
coloniais - seccionados segundo várias orientações.
Os fósseis, com dimensões bastante variadas, de
1 ou 2 cm até 15 cm de diâmetro, são bastante abundantes e evidentes,
devido ao típico aspecto radiado que apresentam em secção transversal.
Um dos elementos mais característicos do esqueleto
externo biomineralizado dos corais são os
septos interiores dispostos
radialmente. São estes septos internos que, em corte transversal, dão ao
fóssil do coral o seu característico aspecto radiado.
A rocha ornamental em que estes fósseis
estão inseridos - um calcário fossilífero de idade
jurássica - é
proveniente de pedreiras localizadas na região algarvia de S. Brás de
Alportel (lugar da Mesquita). Esta rocha ornamental - o Calcário da
Mesquita ou Calcário Avermelhado - é muitas vezes conhecida pelo nome de
"Brecha Algarvia" ou "Brecha de Tavira", ainda que, na realidade, não
seja uma brecha, nem tão pouco um mármore, mas sim um calcário.
Fósseis de corais: No foto abaixo, obtida na fachada do número 83
da Rua Capitão Leitão, pode ver-se um magnífico exemplar de
fóssil de coral
colonial
mineralizado, em secção
transversal (na zona assinalada pela seta). Neste fóssil são bem
visíveis os
coralitos, os elementos
esqueléticos dos pólipos individuais que constituíam a colónia, com
contorno circular e apresentando o aspecto radiado característico, dado
pelos
septos (assinalado por 1).

Fósseis, em várias secções, patentes no cálcario
da fachada do nº 83.
Bioerosão: Neste mesmo fóssil - no local assinalado por 2 - é
possível observar um vestígio muito interessante de interacção entre
dois organismos
jurássicos: um
bivalve perfurando o
esqueleto externo carbonatado do coral. Note-se como a perfuração, que
surge como uma auréola em torno do fóssil do bivalve, preenchida por
sedimento de cor mais clara, cinzenta-avermelhada, intersecta os
coralitos do coral.
No local assinalado por 3 pode observar-se claramente a zona de
articulação entre as duas valvas do bivalve: a
charneira. Estes animais - à
semelhança do que ainda hoje alguns bivalves fazem - perfuraram o
esqueleto dos corais para se instalar no seu interior. Os bivalves não
se alimentam dos corais - não são carnívoros! - apenas perfuram neles
uma cavidade, dentro da qual se abrigam (exemplo de comensalismo). A
este tipo de acção erosiva - perfurante - de um organismo sobre
substrato duro dá-se o nome de bioerosão.
Icnofósseis:
Os
fósseis de elementos
esqueléticos de partes integrantes de organismos do passado - tal como
os fósseis do coral e dos bivalves no exemplo acima - são incluídos no
grupo dos
somatofósseis. São
somatofósseis, por exemplo, tanto as
mineralizações das
conchas dos bivalves, como os seus
moldes internos e
externos. Os fósseis dos
vestígios de actividade orgânica - tal como as perfurações produzidas em
vida pelos bivalves - são incluídos num outro tipo de fósseis, os
icnofósseis.
Dúvidas?! Pergunta ao paleontólogo!
Mesmo depois de teres lido as explicações dadas acima e de teres
observado os fósseis no local, ainda tens dúvidas sobre fósseis? Então
envia-me as tuas questões (clica
aqui!) e
eu
tentarei esclarecê-las.
Paleontologia e fósseis na Internet
Sebenta da Paleontologia do GeoFCUL - Bivalves
Paleontologia no Departamento de
Geologia da FCUL
Museu de História Natural da Universidade de Lisboa
Introducción a la
Paleontología
Palaeobase. Database
of fossils
Carlos Marques da Silva - Almada, 08 de Junho de 2007 |