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Departamento de Geologia

da Faculdade de Ciências de Lisboa

 

 

Faculdade de Ciências de Lisboa (FCUL)

 

 

Universidade de Lisboa

 


  

Este projecto teve o precioso

apoio logístico no terreno do:

 

Centro de Arqueologia de Almada


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Carlos Marques da Silva

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Paleontologia no GeoFCUL

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Fósseis em Almada

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1 - Fósseis de Nerinea

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2- Fósseis de Exogyra

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3 - Fósseis de rudistas radiolitídeos

 

4 - Fósseis de corais

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5 - Ameaças à geodiversidade

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6 - Fósseis de rudistas caprinídeos

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7 - Fósseis de Multiptyxis

 


 

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Paleontologia e Geologia urbanas em Almada          

 

 

Fósseis de Exogyra

 

 

por Carlos Marques da Silva                                                                

 
 

 

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Rua D. Álvaro Abranches da Câmara Nº 28.

 

Neste local, na fachada do Nº 28, de um e de outro lado da porta de entrada, podem observar-se curiosos fósseis de conchas de bivalves do género Exogyra, seccionados segundo várias orientações.

 

Os  fósseis destes bivalves, com dimensões rondando os 5 a 15 cm, são bastante evidentes devido ao aspecto espesso e estratificado, isto é, organizado em camadas, da parede das suas conchas e ao facto de apresentarem cor acinzentada que se destaca bem no fundo da rocha calcária de cor ocre escura.

Vários fósseis de Exogyra, em várias secções, na fachada do Nº 28.

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A rocha ornamental à qual estes fósseis estão associados  - um calcário fossilífero de idade cretácica  - é, muito provavelmente, proveniente do distrito de Lisboa, da região de Sintra - Loures.

 


 

Fósseis de Exogyra:

 

As Exogyra eram bivalves. Os bivalves (Classe Bivalvia), por vezes conhecidos pelo nome vulgar de "conchas", são organismos do grupo dos moluscos (Filo Molusca). São moluscos que apresentam o seu corpo mole encerrado dentro de uma concha externa, calcária, constituída por duas peças articuladas, as valvas. Daí o seu nome: bivalves.

 

Os bivalves são organismos que nos são muito familiares. As amêijoas, os berbigões e as lambujinhas, para referir apenas alguns dos mais conhecidos, são bivalves.

 

As Exogyra pertencem a um outro grupo de bivalves bem conhecido, o das ostras. Exogyra é um género de ostras extinto, que existiu apenas durante o Período Cretácico, há cerca de 146 a 65 milhões de anos atrás, já não existindo na actualidade.

 

Comparação de uma concha de ostra actual com um fóssil, em corte, de Exogyra. No corte do fóssil de Exogyra: 1 - Valva direita; 2 - Valva esquerda.

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Imagem de ostra actual de:  http://www.utilitarianism.com/oyster.jpg

Imagem de fóssil, 3D, de Exogyra de http://fossils.valdosta.edu/fossil_pages/fossils_cre/i87.html

 

 

Devido à forma algo invulgar da concha de Exogyra, com uma valva espessa, côncava e um pouco espiralada (a esquerda) e com outra mais pequena e aplanada (a direita),  e à variedade de cortes observáveis, as secções dos fósseis existentes na fachada do Nº 28 apresentam aspectos muito distintos. Contudo, nalgumas delas, como mostrado na figura acima, é possível reconhecer, claramente, as duas valvas (1 - valva direita e 2 - valva esquerda) que constituíam a concha destes organismos.

 

As Exogyra eram organismos aquáticos, marinhos a estuarinos, e viviam em águas pouco profundas, em ambientes próximos da costa. Viviam, pelo menos parte da sua vida, fixadas ao substrato, ao fundo, tal como as ostras actuais. No grupos das ostras, a fixação ao substrato é assegurada pela valva esquerda, a mais espessa.

 


 

Outros fósseis na fachada do Nº 28:

 

Para além dos somatofósseis de Exogyra, ou seja dos fósseis de partes da concha -- do corpo biomineralizado -- dos bivalves, na fachada do Nº 28 são visíveis, também, icnofósseis de outros organismos.

 

Enquanto os somatofósseis são fósseis de partes dos organismos, os icnofósseis são fósseis dos vestígios de actividade orgânica.

 

Sobre os fósseis de Exogyra observam-se, claramente, fósseis de marcar e de perfurações produzidas por organismos que viviam associados a estes bivalves.

Icnofósseis sobre somatofóssil de valva esquerda de Exogyra: 1 - Perfuração de bivalve, de tipo Gastrochaenolites; 2 - perfurações de esponjas, de tipo Entobia.

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Imagem de Petricola adaptada de http://www.thais.it/conchiglie/mediterraneo/indici/ind_15.htm

 

 

As perfurações maiores, com secção oval (assinalado por 1), visíveis na foto acima, foram produzidas por bivalves perfurantes, enquanto as mais pequenas, dando um aspecto rendilhado à periferia da concha (em 2), foram produzidas por esponjas. A este tipo de estruturas, afectando substrato duro (rocha ou, neste caso, as conchas de Exogyra), perfurando-o, é dado o nome de estruturas de bioerosão.


 

Exogyra? Isso para mim é grego! Os bivalves incluídos neste género apresentavam uma valva -- a esquerda, a mais espessa -- ligeiramente espiralada, parecendo "enrolar para fora", daí o nome Exogyra (de éxo, para fora, e gyrós, círculo, rotação, em grego), que siginifica "enrolado ou rodado para fora".

 


 

Outros fósseis de bivalves: Outro grupo de bivalves, também extinto, amplamente representado sob a forma de fósseis nas fachadas da Rua Capitão Leitão -- e não só -- é o grupo dos rudistas. Ao longo desta rua de Almada podem encontrar-se excelentes fósseis de dois tipos de rudistas: caprinídeos e radiolitídeos.

 


 

Dúvidas?! Pergunta ao paleontólogo! Mesmo depois de  teres lido as explicações dadas acima e de teres observado os fósseis no local, ainda tens dúvidas sobre fósseis? Então envia-me as tuas questões (clica aqui!) e eu tentarei esclarecê-las.

 


 

Paleontologia e fósseis na Internet

 

Sebenta da Paleontologia do GeoFCUL - Bivalves

Paleontologia no Departamento de Geologia da FCUL

Museu de História Natural da Universidade de Lisboa

Introducción a la Paleontología

Palaeobase. Database of fossils

 


 

Carlos Marques da Silva - Almada, 16 de Novembro de 2008