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Ameaças à geodiversidade em meio urbano.
A geodiversidade - em geral - pode ser entendida como
a variedade (a diversidade) de elementos e de processos geológicos, sob
qualquer forma, a qualquer escala e a qualquer nível de integração.
São elementos da geodiversidade, entre outros, as
rochas, os
fósseis, os estratos
geológicos, os solos, os recursos
minerais, o petróleo, as águas subterrâneas, o carvão mineral
e, também, as estruturas geológicas, as paisagens e o relevo da superfície terrestre.
A
geodiversidade, tal como a
biodiversidade e a
diversidade cultural, constitui um
valor fundamental do mundo em que vivemos. A geodiversidade é um dos
pilares da
Natureza, é o suporte físico da biodiversidade. É imprescindível proteger
a Natureza, não apenas porque esse é um imperativo
ético, mas também porque é uma condição essencial para o
desenvolvimento sustentável e para uma melhor qualidade de vida.
Em meio urbano, a geodiversidade está presente, de
modo mais evidente, nos materiais geológicos utilizados na sua
construção: na pedra, nas rochas ornamentais e nos fósseis nelas
contidos.
A poluição visual, provocada - por exemplo - por
grafitos e por publicidade selvagem ou excessiva nas
fachadas dos edifícios e em monumentos, é uma séria ameaça à geodiversidade em
meio urbano.
Para além de claramente inestética, a poluição visual
transmite um ar desleixado, negligenciado, à cidade que, por sua
vez - ao gerar apatia e desinteresse pela boa manutenção dos espaços
públicos - propicia a continuação da degradação e dá cobertura a actos
vandalismo.
Infelizmente, casos destes são bastante comuns também em
Almada e, concretamente, na Rua Capitão Leitão. Eis alguns exemplos:
Fósseis de bivalves rudistas visíveis por entre
grafitos numa parede almadense.
Fósseis de rudistas:
No foto acima, por entre os grafitos, pode observar-se vários fósseis de
conchas de
rudistas. Os rudistas são um grupo extinto de
bivalves - com
um aspecto muito diferente do dos bivalves que conhecemos da actualidade
- que existiu desde o
Jurássico superior até ao final do
Cretácico.
Estes são fósseis de bivalves rudistas (Ordem Rudista)
do género
Caprinula. A estrutura alveolar típica da parede da concha
destes rudistas está bem patente nos locais assinalados por 1 e 2 na
foto.

E se não houvesse poluição visual?
Se não houvesse poluição visual teríamos um ambiente urbano de melhor
qualidade e viver na cidade seria muito mais agradável e menos
stressante. Veja-se, a título de exemplo, como a Rua Capitão Leitão
poderia ser bem mais aprazível sem estes feios exemplos de desleixo e de degradação dos espaços públicos.
Nesta parede de um edifício da Rua Capitão Leitão há
excelentes exemplares de fósseis de
corais. Para os ver e
aprender mais sobre eles basta clicar sobre o número assinalado na foto.
Dúvidas?! Pergunta ao paleontólogo!
Mesmo depois de teres lido as explicações no esquema acima e de teres observado
os fósseis no local, ainda tens dúvidas sobre fósseis em Almada? Então envia-me as tuas questões (clica
aqui!) e
eu tentarei
esclarecê-las.
Paleontologia e fósseis na Internet
Sebenta da
Paleontologia do GeoFCUL - Gastrópodes
Paleontologia no
Departamento de Geologia da FCUL
Museu de História Natural da Universidade de
Lisboa
Introducción a la
Paleontología
Palaeobase. Database
of fossils
Carlos Marques da Silva - Almada, 09 de Junho de
2007