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Departamento de Geologia

da Faculdade de Ciências de Lisboa

 

 

Faculdade de Ciências de Lisboa (FCUL)

 

 

Universidade de Lisboa

 


  

Este projecto teve o precioso

apoio logístico no terreno do:

 

Centro de Arqueologia de Almada


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Carlos Marques da Silva

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Paleontologia no GeoFCUL

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3 - Fósseis de rudistas radiolitídeos

 

4 - Fósseis de corais

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5 - Ameaças à geodiversidade

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6 - Fósseis de rudistas caprinídeos

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7 - Fósseis de Multiptyxis

 


 

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Paleontologia e Geologia urbanas em Almada          

 

 

Fósseis de Multiptyxis

 

 

por Carlos Marques da Silva                                                                

 
 

 

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Rua Capitão Leitão / Edifício do Cinema da Incrível Almadense.

 

Na fachada do edifício da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense (SFIA), escondido por trás da coluna mais à esquerda da entrada do cinema (assinalada por 3 na foto abaixo), podem observar-se fósseis de conchas de gastrópodes Multiptyxis, em corte axial.

 

Os fósseis destes gastrópodes marinhos (búzios), são facilmente identificáveis em corte axial (ou longitudinal), pois possuem uma estrutura interna muito característica e complexa, formada por inúmeras pregas muito sinuosas existentes no interior das voltas da concha.

 

A rocha ornamental em que estes fósseis estão inseridos é denominada Amarelo de Negrais. Trata-se um calcário fossilífero de cor ocre e de idade cretácica (Turoniano, com 90-94 Ma milhões de idade) e é proveniente de pedreiras localizadas na localidade de Negrais, Almargem do Bispo (Sintra).

 

 


 

Fósseis de Multiptyxis: No foto abaixo, podem ver-se dois exemplares de  fósseis mineralizados, recristalizados, de Multiptyxis, em corte axial, ou seja de um corte que segue o ao longo do eixo maior (de enrolamento) da concha.

 

Fóssil de Multiptyxis, mostrando as sinuosas secções internas das voltas.

 

Nestes fósseis (incompletos, assinalados por 1 e 2, acima) são bem visíveis as caraterísticas pregas existentes no interior das voltas da concha. Na foto abaixo esse aspecto do fóssil 2 é realçado.

 

Na imagem abaixo o fóssil foi reorientado de modo a ser visto na posição convencional de observação: com o o ápice da concha (a ponta) dirigida para cima, a base da volta orientada para baixo e a abertura da concha (a sua "boca") dirigida para o observador.

 

 

Ampliação da foto anterior, mostrando um detalhe das pregas no interior da volta.

 

 

O desenho sinuoso que se vê destacado numa cor mais esbraquiçada corresponde ao preenchimento do interior das voltas pelo sedimento calcário. O fóssil da concha por se apresentar translúcido (recristalizado pelo mineral calcite) aparece sob a forma de um contorno mais escuro. 

 

No esquema das pregas no interior da volta (à direita) as pregas estão assinaladas por letras: P - Prega parietal; L - Lateral; B - Basal e C1 e C2 - Pregas columelares. A branco está destacado interior (vazio) da volta da concha. As pregas fazem parte da concha e são constituídas pelo mesmo material carbonatado.

 


 

Multiptyxis: Género extinto de moluscos gastrópodes marinhos. Os gastrópodes deste género surgiram aproximadamente no início do Jurássico, há cerca de 200 milhões de anos (200 Ma), e extinguiram-se - ou seja, desapareceram da face da Terra - no final do Cretácico, há cerca de 65 Ma, na mesma altura em que desapareceram os dinossáurios.

 

Os gastrópodes do género Multiptyxis, tal como os do género Nerinea (família Nerineidae), viviam em ambientes marinhos de muito pequena profundidade, de águas quentes e de salinidade marinha normal. Povoavam as lagunas marinhas tropicais, protegidas da influência directa do oceano aberto, que se formavam por trás de recifes ou de bancos de rudistas.

 

Na altura em que estes gastrópodes viveram na região de Lisboa, e em que os sedimentos que originaram a rocha calcária em que agora encontramos os seus fósseis se depositaram, ainda existiam dinossáurios. Os gastrópodes Multiptyxis viviam em lagunas marinhas de pequena profundidade, por trás dos bancos de rudistas ou associados a eles, e os dinossáurios nos ambientes continentais, terrestres.

 

Nota: Alguns paleontólgos atribuem os fósseis aqui denominados como Multiptyxis aos géneros Nerinea e Neoptyxis.

 

Isto para mim é latim e grego! O que significa Multiptyxis? O nome deste género resulta da junção de duas palavras, uma latina e outra grega: multi (latim: muito) e πτύξις ptyxis (grego: prega). Ou seja, Multiptyxis significa "muitas pregas" o que, atendendo ao aspecto da concha em corte axial, não é de espantar! Ou seja, o nome científico realça o facto de as conchas destes gastrópodes apresentarem muitas pregas no interior das suas voltas. Ver: Wiktionary.

 


 

Dúvidas?! Pergunta ao paleontólogo! Mesmo depois de  teres lido as explicações no esquema acima e de teres observado os fósseis no local, ainda tens dúvidas sobre fósseis em Almada? Então envia-me as tuas questões (clica aqui!) e eu tentarei esclarecê-las.

 


 

Paleontologia e fósseis na Internet

 

Sebenta da Paleontologia do GeoFCUL - Gastrópodes

Paleontologia no Departamento de Geologia da FCUL

Museu de História Natural da Universidade de Lisboa

Introducción a la Paleontología

Palaeobase. Database of fossils

 


 

Carlos Marques da Silva - Almada, 28 de Maio de 2009