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Rua Capitão Leitão / Largo das Andorinhas, Nº 109.
Neste local, no número 109, junto ao chão, à direita da porta
de entrada, podem observar-se
abundantes
fósseis de conchas de
gastrópodes Nerinea, cortados segundo várias orientações.
Os fósseis destes
gastrópodes marinhos
(búzios), são facilmente identificáveis em corte axial (ou
longitudinal), pois possuem uma estrutura interna muito característica.
A rocha ornamental em que estes fósseis
estão inseridos - um calcário fossilífero de idade
cretácica -
é proveniente de pedreiras localizadas
na região a Norte de Lisboa.
Fósseis de Nerinea:
No foto abaixo, pode ver-se um exemplar de fóssil
mineralizado de
Nerinea, em corte axial. Neste fóssil é visível a
columela, pilar interno
da concha do gastrópode que materializa o seu eixo de enrolamento
(assinalado por 1) e as secções internas das voltas da concha, com
contorno característico em forma, aproximada, de 8 (assinalado por 2).
Na foto acima, assinalados por 3 e 4 podem ainda
observar-se outros dois fósseis de Nerinea, paralelos ao
fóssil assinalado pela
seta, em cortes mais oblíquos, nos quais não é possível observar a
columela, nem as características secções internas das voltas da concha.
Nerinea:
Género extinto de
moluscos
gastrópodes marinhos (de búzios). Os gastrópodes deste
género surgiram no início do
Jurássico, há cerca de
200 milhões de anos (200 Ma), e extinguiram-se -
ou seja, desapareceram
da face da Terra - no final do
Cretácico, há cerca de 65
Ma, na mesma altura em que desapareceram os
dinossáurios.
Os gastrópodes do género Nerinea viviam em
ambientes marinhos de muito pequena profundidade, de águas quentes e de
salinidade marinha normal. Povoavam as
lagunas marinhas tropicais,
protegidas da influência directa do oceano aberto, que se formavam por
trás dos
recifes de
rudistas.
Na altura em que estes gastrópodes viveram na região
de Lisboa, e em que os sedimentos que originaram a rocha calcária em que agora
encontramos os seus fósseis se depositaram, ainda existiam dinossáurios.
As Nerinea viviam em lagunas marinhas de pequena profundidade,
por trás dos recifes de rudistas, e os dinossáurios nos
ambientes continentais,
terrestres.
O que significa Nerinea?: O nome deste género - Nerinea - deriva do nome
do titã
Nereu, pai das Nereidas (Tétis,
referida nos
Lusíadas, era a mais
famosa delas). Nereu era uma divindade marinha da
mitologia grega
- anterior ao olímpico
Posídon -
que, pensava-se,
habitaria no
Mar Egeu.
Dúvidas?! Pergunta ao paleontólogo!
Mesmo depois de teres lido as explicações no esquema acima e de teres observado
os fósseis no local, ainda tens dúvidas sobre fósseis em Almada? Então envia-me as tuas questões (clica
aqui!) e
eu tentarei
esclarecê-las.
Paleontologia e fósseis na Internet
Sebenta da
Paleontologia do GeoFCUL - Gastrópodes
Paleontologia no
Departamento de Geologia da FCUL
Museu de História Natural da Universidade de
Lisboa
Introducción a la
Paleontología
Palaeobase. Database
of fossils
Carlos Marques da Silva - Almada, 04 de Junho de
2007