.
.
Rua Capitão Leitão, Nº 66 e Rua Manuel de Sousa
Coutinho.
Neste local, e na esquina da Rua Manuel de Sousa
Coutinho, nas paredes exteriores e no pavimento do "Páteo do Caseiro", um
pouco por todo o lado, podem observar-se interessantes
somatofósseis de conchas
de
rudistas
radiolitídeos em cortes variados.
Os
fósseis
destes bivalves, normalmente de
grande tamanho, com 15 a 25 cm de dimensão máxima, são
bastante evidentes, devido ao aspecto espesso e maciço da parede das
suas conchas e ao facto de apresentarem cor esbranquiçada que se destaca
bem no fundo da rocha calcária rosada a avermelhada.
A rocha ornamental a que estes fósseis
estão associados - um calcário fossilífero de idade
cretácica - é um
liós (ou lioz). Esta
rocha ornamental, muito
utilizada em Lisboa e arredores, é proveniente de pedreiras localizadas
na região a Norte de Lisboa, em Sintra, nomeadamente na Terrugem e em Pêro Pinheiro.
Fósseis de rudistas:
Os
rudistas (Ordem Rudista)
são um grupo extinto de
bivalves que existiu desde o
Jurássico superior até ao final do
Cretácico da Era
Mesozóica (durante cerca de 90 milhões de anos).
 Os rudistas
radiolitídeos possuíam uma valva inferior (direita, fixa) cónica, mais ou
menos alongada, consoante os casos (assinalada por 1 nas imagens), e uma
valva superior (valva esquerda, livre) aplanada, em forma de "tampa"
(assinalada por 2). Estes aspectos são bem visíveis nos exemplares do
"Páteo do Caseiro".

Vários fósseis de rudistas e reconstituição
dos animais em posição de vida.
.
Reconstituição de rudistas adaptada de В
Мире Науки (Scientific
American / Russia).
Nas imagens acima podem observar-se exemplares de fósseis mineralizados
das conchas de rudistas patentes nas paredes exteriores do "Páteo do
Caseiro", ao longo da Rua Manuel de Sousa Coutinho. Um dos exemplares,
em corte transversal, apresenta claramente a valva livre (assinalada por
2) conservada em conexão com a valva fixa, o que não é frequente. Tal
como nos bivalves actuais, nos rudistas, após a morte do animal, mais
frequentemente, as valvas separavam-se, daí que seja mais comum
encontrar fósseis de valvas isoladas destes organismos.
Rudistas e paleogeografia: A presença de fósseis de rudistas nas rochas carbonatadas da região de
Lisboa é um testemunho de quando nesta região, há cerca de 100-90 milhões de anos
atrás (no Cenomaniano), existiu um mar tropical, costeiro, pouco profundo com
fundos formados por vaza (lama) carbonatada.

Paleogeografia do Jurássico e do Cretácico.
.
Mapas paleogeográficos adaptados de ©
PALEOMAP Project / Christopher R. Scotese.
Durante o Cenomaniano, a Península Ibérica, estava
localizada a latitudes mais baixas que actualmente, mais próximas do
equador, e, portanto, em paragens mais quentes. Nessa altura, a
Península Ibérica ficava localizada nas margens do Mar Tétis, o mar que,
após a ruptura da Pangea, se formou entre a Gondwana (a Sul) e a
Laurásia (a Norte). O mar Tétis corresponde ao proto-Mediterrâneo.
Em águas mais quentes, tropicais, a partir dos 26-28º
C, o carbonato de cálcio - CaCO3 - precipita espontaneamente,
um pouco à semelhança do que sucede em nossas casas nas chaleiras e nas
máquinas de lavar roupa, onde, por se aquecer a água repetidamente, se
forma calcário (a partir do carbonato de cálcio dissolvido na água).
O carbonato de cálcio precipitado origina, por
exemplo, vasas carbonatadas (lamas carbonatadas) que, posteriormente,
por diagénese, geram os calcários que encontramos actualmente.
Porquê rudistas? Os rudistas, em geral, possuíam conchas
espessas, com aspecto rude. Foi esse aspecto rude (rudis, em latim) que
valeu o nome de Rudista a estes bivalves mesozóicos.
Rudistas em Almada: Os grupos de rudistas mais
em representados nas rochas ornamentais na região de Lisboa são os
radiolitídeos (aqui apresentados) e os caprinídeos, também presentes nas
fachadas da Rua Capitão Leitão (ver
rudistas caprinídeos).
Dúvidas?! Pergunta ao paleontólogo!
Mesmo depois de teres lido as explicações dadas acima e de teres observado
os fósseis no local, ainda tens dúvidas sobre fósseis? Então envia-me as tuas questões (clica
aqui!) e
eu tentarei
esclarecê-las.
Paleontologia e fósseis na Internet
Sebenta da
Paleontologia do GeoFCUL - Bivalves
Paleontologia no
Departamento de Geologia da FCUL
Museu de História Natural da Universidade de
Lisboa
Introducción a la
Paleontología
Palaeobase. Database
of fossils
Palaeontological
database of Rudist Bivalves
Carlos Marques da Silva - Almada, 29 de Maio de
2008 |