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Departamento de Geologia

da Faculdade de Ciências de Lisboa

 

 

Faculdade de Ciências de Lisboa (FCUL)

 

 

Universidade de Lisboa

 


  

Este projecto teve o precioso

apoio logístico no terreno do:

 

Centro de Arqueologia de Almada


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Carlos Marques da Silva

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Bibliografia

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Paleontologia no GeoFCUL

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Materiais de divulgação da Paleontologia

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Temas de Paleontologia

 

Índice / Introdução

 

O que é um paleontólogo?

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Fóssil

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Fósseis em Almada

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Home / Introdução

 

1 - Fósseis de Nerinea

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2- Fósseis de Exogyra

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3 - Fósseis de rudistas radiolitídeos

 

4 - Fósseis de corais

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5 - Ameaças à geodiversidade

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6 - Fósseis de rudistas caprinídeos

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7 - Fósseis de Multiptyxis

 


 

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Paleontologia e Geologia urbanas em Almada          

 

 

Fósseis de Rudistas 2

 

 

por Carlos Marques da Silva                                                                

 
 

 

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Rua Capitão Leitão, Nº 66 e Rua Manuel de Sousa Coutinho.

 

Neste local, e na esquina da Rua Manuel de Sousa Coutinho, nas paredes exteriores e no pavimento do "Páteo do Caseiro", um pouco por todo o lado, podem observar-se interessantes somatofósseis de conchas de rudistas radiolitídeos em cortes variados.

 

Os  fósseis destes bivalves, normalmente de grande tamanho, com 15 a 25 cm de dimensão máxima, são bastante evidentes, devido ao aspecto espesso e maciço da parede das suas conchas e ao facto de apresentarem cor esbranquiçada que se destaca bem no fundo da rocha calcária rosada a avermelhada.

 

A rocha ornamental a que estes fósseis estão associados  - um calcário fossilífero de idade cretácica  - é um liós (ou lioz). Esta rocha ornamental, muito utilizada em Lisboa e arredores, é proveniente de pedreiras localizadas na região a Norte de Lisboa, em Sintra, nomeadamente na Terrugem e em Pêro Pinheiro.

 

 


 

Fósseis de rudistas: Os rudistas (Ordem Rudista) são um grupo extinto de bivalves  que existiu desde o Jurássico superior até ao final do Cretácico da Era Mesozóica (durante cerca de 90 milhões de anos).

 

Os rudistas radiolitídeos possuíam uma valva inferior (direita, fixa) cónica, mais ou menos alongada, consoante os casos (assinalada por 1 nas imagens), e uma valva superior (valva esquerda, livre) aplanada, em forma de "tampa" (assinalada por 2). Estes aspectos são bem visíveis nos exemplares do "Páteo do Caseiro".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vários fósseis de rudistas e reconstituição dos animais em posição de vida.

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Reconstituição de rudistas adaptada de В Мире Науки (Scientific American / Russia).

 

 

Nas imagens acima podem observar-se exemplares de fósseis mineralizados das conchas de rudistas patentes nas paredes exteriores do "Páteo do Caseiro", ao longo da Rua Manuel de Sousa Coutinho. Um dos exemplares, em corte transversal, apresenta claramente a valva livre (assinalada por 2) conservada em conexão com a valva fixa, o que não é frequente. Tal como nos bivalves actuais, nos rudistas, após a morte do animal, mais frequentemente, as valvas separavam-se, daí que seja mais comum encontrar fósseis de valvas isoladas destes organismos.

 


 

Rudistas e paleogeografia: A presença de fósseis de rudistas nas rochas carbonatadas da região de Lisboa é um testemunho de quando nesta região, há cerca de 100-90 milhões de anos atrás (no Cenomaniano), existiu um mar tropical, costeiro, pouco profundo com fundos formados por vaza (lama) carbonatada.

 

Paleogeografia do Jurássico e do Cretácico.

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Mapas paleogeográficos adaptados de © PALEOMAP Project / Christopher R. Scotese.

 

 

Durante o Cenomaniano, a Península Ibérica, estava localizada a latitudes mais baixas que actualmente, mais próximas do equador, e, portanto, em paragens mais quentes.  Nessa altura, a Península Ibérica ficava localizada nas margens do Mar Tétis, o mar que, após a ruptura da Pangea, se formou entre a Gondwana (a Sul) e a Laurásia (a Norte). O mar Tétis corresponde ao proto-Mediterrâneo.

 

Em águas mais quentes, tropicais, a partir dos 26-28º C, o carbonato de cálcio - CaCO3 - precipita espontaneamente, um pouco à semelhança do que sucede em nossas casas nas chaleiras e nas máquinas de lavar roupa, onde, por se aquecer a água repetidamente, se forma calcário (a partir do carbonato de cálcio dissolvido na água).

 

O carbonato de cálcio precipitado origina, por exemplo, vasas carbonatadas (lamas carbonatadas) que, posteriormente, por diagénese, geram os calcários que encontramos actualmente.

 


 

Porquê rudistas? Os rudistas, em geral, possuíam conchas espessas, com aspecto rude. Foi esse aspecto rude (rudis, em latim) que valeu o nome de Rudista a estes bivalves mesozóicos.

 


 

Rudistas em Almada: Os grupos de rudistas mais em representados nas rochas ornamentais na região de Lisboa são os radiolitídeos (aqui apresentados) e os caprinídeos, também presentes nas fachadas da Rua Capitão Leitão (ver rudistas caprinídeos).


 

Dúvidas?! Pergunta ao paleontólogo! Mesmo depois de  teres lido as explicações dadas acima e de teres observado os fósseis no local, ainda tens dúvidas sobre fósseis? Então envia-me as tuas questões (clica aqui!) e eu tentarei esclarecê-las.

 


 

Paleontologia e fósseis na Internet

 

Sebenta da Paleontologia do GeoFCUL - Bivalves

Paleontologia no Departamento de Geologia da FCUL

Museu de História Natural da Universidade de Lisboa

Introducción a la Paleontología

Palaeobase. Database of fossils

Palaeontological database of Rudist Bivalves

 


 

Carlos Marques da Silva - Almada, 29 de Maio de 2008