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Rua Capitão Leitão, Nº 63D.
Neste local, na ombreira do número 63D, à direita da
porta de entrada, podem observar-se interessantes
somatofósseis de conchas
de
rudistas
caprinídeos em cortes variados.
Os
fósseis, normalmente de
grande tamanho, com 10 a 15 cm de dimensão máxima, são
bastante evidentes, devido ao típico aspecto alveolar (assinalado por 1) que a parede da
concha destes rudistas apresenta.
A rocha ornamental em que estes fósseis
estão inseridos - um calcário fossilífero de idade
cretácica - é um
liós (ou lioz). Esta
rocha ornamental, muito
utilizada em Lisboa e arredores, é proveniente de pedreira localizadas
na região a Norte de Lisboa, nomeadamente em Pêro Pinheiro.
Fósseis de rudistas:
Os
rudistas (Ordem Rudista)
são um grupo extinto de
bivalves - com
um aspecto muito diferente do dos bivalves que conhecemos da actualidade
- que existiu desde o
Jurássico superior até ao final do
Cretácico da Era
Mesozóica (durante cerca de 90 milhões de anos).
Nos seres vivos, a forma é expressão do estilo de vida e do modo de
relacionamento com o ambiente onde vivem. Por exemplo, algumas ostras
actuais têm uma forma alongada e irregular pois vivem fixadas ao
substrato, formando
bancos de ostras. As amêijoas
têm uma forma amendoada pois vivem enterradas na areia. As vieiras
possuem concha em forma de leque, com valvas distintas, pois vivem
assentes sobre o fundo.
Os rudistas
tinham formas diferentes destes bivalves actuais pois viviam de modo
distinto deles. Habitavam em ambientes marinhos pouco profundos, com
águas quentes, tropicais, normalmente semienterrados no fundo lodoso,
formado por vasa carbonatada. Os rudistas eram - frequentemente -
gregários, ou seja,
formavam grandes aglomerados (ou "bancos") de rudistas, ocupando áreas
extensas dos fundos marinhos pouco profundos de então.

Fósseis de rudistas e reconstituição dos
animais.
Na foto acima, na
ombreira da porta, pode observar-se um bom exemplo de
um corte oblíquo da valva livre
-
mineralizada - de um
rudista caprinídeo. Estes
bivalves rudistas tinham
a concha formada por duas valvas distintas uma da outra: uma delas, a
que se enterrava no substrato vasoso era cónica e a outra - a valva livre - era
enrolada em "corno de cabra". A espessa parede das valvas possuía canais
paleais (poligonais, largos, e piriformes, finos), o que, em corte, dá à
parede da concha o seu aspecto alveoloar característico. O aspecto
alveolar da concha é bem visível no fóssil, assinalado em (1).
Rudistas em Almada: Os grupos de rudistas mais
em representados nas rochas ornamentais na região de Lisboa são os
caprinídeos (aqui apresentados) e os radiolitídeos, também presentes nas
fachadas da Rua Capitão Leião (ver
rudistas radiolitídeos).
Porquê rudistas? Os rudistas, em geral, possuíam conchas
espessas, com aspecto rude. Foi esse aspecto rude (rudis, em latim) que
valeu o nome de Rudista a estes bivalves mesozóicos.
E porquê caprinídeos? A valva livre destes rudistas apresenta-se
normalmente enrolada, aparentando um corno de cabra (capra, caprino, em
latim). Uma vez mais, foi este aspecto da concha que esteve na origem do
nome dos seus géneros mais típicos: Caprina e Caprinula.
Dúvidas?! Pergunta ao paleontólogo!
Mesmo depois de teres lido as explicações dadas acima e de teres observado
os fósseis no local, ainda tens dúvidas sobre fósseis? Então envia-me as tuas questões (clica
aqui!) e
eu tentarei
esclarecê-las.
Paleontologia e fósseis na Internet
Sebenta da
Paleontologia do GeoFCUL - Bivalves
Paleontologia no
Departamento de Geologia da FCUL
Museu de História Natural da Universidade de
Lisboa
Introducción a la
Paleontología
Palaeobase. Database
of fossils
Palaeontological
database of Rudist Bivalves
Carlos Marques da Silva - Almada, 13 de Junho de
2007 |